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100 metros de Joanesburgo. Eu sai do metro e peguei um taxi – em outra escala, pele e olhos recebiam a primeira cota de luz depois de horas de viagem; partículas batiam em mim disparando a sequência de pequenas colisões agilmente transformadas em imagens e sensação térmica. Park Station em direção ao centro de Joanesburgo.
Numa rua de mão única caminhavam na direção oposta mãe e três filhos, naquele movimento de corpos tão próprio que cantava nos olhos que eu não estava mais em casa. Uma quadra de basquete era o fundo onde a bola que girava no aro caia fora, refletida primeiro no rosto insatisfeito que se contraia pra soltar o Fuck You que bateu em mim junto do som oco da bola perdida que bateu no chão. Do outro lado da rua, uma lavanderia com ruídos pacíficos; a vibração de uma velha van estacionada; os vendedores de rua; meia dúzia de passantes negros e uma roupa colorida estremecida ao sopro do vento seco.
Adiante dançava em amarelo e vermelho o fogo que queimava o lixo da loja em frente. Pilhas de caixas dormiam há anos. Uma cliente saia rindo e adolecentes negros de cara fechada se separavam automaticamente para que a senhora passase entre eles no passeio estreito. As fachadas eram escuras, pintadas de preto ou no tijolo encardido herdado da metrópole distante. O piso manchado e oleoso era tocado pela ponta do tênis preto de um dos adolescentes, corria uma água escura no canto da rua e o papel chamuscado pelo fogo oscilava no nível do solo andando no sentido da mão única.
Com a freada do táxi minha câmera despencou pra baixo do banco do motorista, o semáforo estava vermelho, lembrei de tirar fotos a partir daquele meu primeiro quarteirão percorrido em Joanesburgo – foram quarenta e duas delas nos cinco dias e meio seguintes que passei por alí. Fiz uma seleção pra postar aqui.
100 metros de Joanesburgo.
Eu sai do metro e peguei um taxi – em outra escala, pele e olhos recebiam a primeira cota de luz depois de horas de viagem; partículas batiam em mim disparando a sequência de pequenas colisões agilmente transformadas em imagens e sensação térmica. Park Station em direção ao centro de Joanesburgo.
Numa rua de mão única caminhavam na direção oposta mãe e três filhos, naquele movimento de corpos tão próprio que cantava nos olhos que eu não estava mais em casa. Uma quadra de basquete era o fundo onde a bola que girava no aro caia fora, refletida primeiro no rosto insatisfeito que se contraia pra soltar o Fuck You que bateu em mim junto do som oco da bola perdida que bateu no chão. Do outro lado da rua, uma lavanderia com ruídos pacíficos; a vibração de uma velha van estacionada; os vendedores de rua; meia dúzia de passantes negros e uma roupa colorida estremecida ao sopro do vento seco.
Adiante dançava em amarelo e vermelho o fogo que queimava o lixo da loja em frente. Pilhas de caixas dormiam há anos. Uma cliente saia rindo e adolecentes negros de cara fechada se separavam automaticamente para que a senhora passase entre eles no passeio estreito. As fachadas eram escuras, pintadas de preto ou no tijolo encardido herdado da metrópole distante. O piso manchado e oleoso era tocado pela ponta do tênis preto de um dos adolescentes, corria uma água escura no canto da rua e o papel chamuscado pelo fogo oscilava no nível do solo andando no sentido da mão única.
Com a freada do táxi minha câmera despencou pra baixo do banco do motorista, o semáforo estava vermelho, lembrei de tirar fotos a partir daquele meu primeiro quarteirão percorrido em Joanesburgo – foram quarenta e duas delas nos cinco dias e meio seguintes que passei por alí. Fiz uma seleção pra postar aqui.
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